Imagine voltar de uma longa e exaustiva viagem a trabalho apenas para descobrir que sua ex-namorada agora está fundida celularmente a um alienígena letal, e que um dos piores psicopatas do mundo sabe exatamente onde você mora. É basicamente esse o comitê de boas-vindas que Peter Parker encontra nas páginas de Amazing Spider-Man/Venom: Death Spiral #1, que acaba de chegar às bancas americanas.

Escrita por um verdadeiro esquadrão de peso da Casa das Ideias — Joe Kelly, Al Ewing e Charles Soule — e ilustrada brilhantemente por Jesus Saiz, a edição inaugura uma nova e turbulenta era para os simbiontes da Marvel. O problema? Esse evento massivo está interrompendo a história principal do Cabeça de Teia de um jeito que beira o bizarro.
A pior hora possível para um Crossover Marvel
Na comunidade geek, é um consenso que crossovers podem ser uma faca de dois gumes. Eles expandem o universo, mas frequentemente atropelam o run (a fase) de um autor em uma revista mensal. E é exatamente isso que acontece com Homem-Aranha Venom Death Spiral.
O evento cai de paraquedas bem no meio de um arco onde o Aranha não tem absolutamente nada a ver com simbiontes. Para quem está acompanhando, Peter acabou de voltar do espaço sideral após ser humilhado pelo vilão alienígena Hellgate. No caminho de volta, ele resgatou prisioneiros, arrumou um novo interesse amoroso alienígena (a guerreira Raelith), obteve um traje tecno-orgânico senciente chamado Glitch e ainda trouxe na bagagem um soro perigoso que pode lhe dar força brutal ao custo de sua humanidade.
O herói mal teve tempo de colocar seus alienígenas em quarentena sob a vigilância do Quarteto Fantástico, e a Marvel já o jogou no moedor de carne que é a guerra simbiótica. Faz sentido? Pouco. Mas a execução compensa a desorganização editorial.
Mary Jane é o Venom, Eddie Brock é o Carnificina: O novo Status Quo
Se você pulou os eventos recentes como Venom War, prepare-se para o choque de realidade. O simbionte Venom foi separado de Eddie Brock (e de seu filho, Dylan). Para salvar a vida de Mary Jane Watson — que vinha atuando como a heroína Jackpot —, o simbionte se fundiu a ela em nível celular. Agora, não se sabe sequer se um pode sobreviver sem o outro. MJ, livre do ex-namorado Paul Rabin, está tentando domar a fera e transformar o Venom em um super-herói aos moldes clássicos.

Enquanto isso, a ironia do destino atingiu Eddie Brock. Sem seu parceiro sombrio clássico, Eddie acabou se unindo ao Carnificina. Para saciar a sede de sangue do simbionte sem machucar inocentes, Eddie adotou uma abordagem “estilo Dexter”: ele caça assassinos em série. A grande bomba, no entanto, é que através da ligação com Eddie, o Carnificina agora sabe que Peter Parker é o Homem-Aranha. Um desastre anunciado.
O “telefone sem fio” de Ben Reilly
A genialidade trágica da história está na falha de comunicação. Eddie ligou dezenas de vezes para avisar Peter sobre o Carnificina, mas o Aranha, voltando do espaço, ignorou os recados. E a situação de MJ é ainda mais cômica e triste: ela achou que havia contado a Peter sobre seu novo “hospedeiro”, mas na verdade se confessou para Ben Reilly, o infame clone que estava substituindo Peter em uma espécie de vingança passivo-agressiva pela vida que “deveria ser dele”.
Um vilão à solta e uma arte que salva a pátria
O motor principal da trama atende pelo nome de Torment, um novo e letal assassino em série que está deixando um rastro de carnificina (com o perdão do trocadilho) pelas cenas de crime. Trabalhando em segredo com o próprio simbionte Carnificina, Torment tem dois alvos fixados: Peter Parker e, a partir do final eletrizante da edição, Mary Jane Watson.
Se a sobreposição de tramas parece caótica, a arte eleva a revista a outro patamar. Jesus Saiz e o colorista Matt Hollingsworth entregam um visual deslumbrante e sombrio. Ironicamente, Saiz já vinha fazendo um trabalho fenomenal ilustrando o Carnificina antes da revista ser precocemente cancelada — o que torna a co-escrita de Charles Soule neste crossover um tanto melancólica, já que o título Eddie Brock: Carnage não sobreviveu para fazer parte do evento que ele próprio ajudou a planejar.
Veredito: Vale a pena ler Death Spiral?
Apesar do timing questionável, Amazing Spider-Man/Venom: Death Spiral #1 entrega o que promete: apostas altíssimas, reviravoltas chocantes nos personagens clássicos e o sentimento real de que as coisas vão piorar muito antes de melhorarem. A ideia de um serial killer agindo em conluio com o Carnificina, ciente das identidades secretas dos heróis, é um gancho fantástico. Só torcemos para que o Homem-Aranha consiga limpar sua caixa de mensagens antes que seja tarde demais.
1. O que acontece em Homem-Aranha Venom Death Spiral? É um novo crossover da Marvel Comics onde o Homem-Aranha, recém-chegado do espaço, precisa lidar com Mary Jane fundida ao Venom e Eddie Brock atuando como hospedeiro do Carnificina enquanto caça um assassino em série.
2. Por que a Mary Jane virou o Venom? Após os eventos da saga Venom War, o simbionte Venom se fundiu celularmente a Mary Jane Watson para salvar a vida dela. Atualmente, ela tenta agir como uma heroína usando os poderes alienígenas.
3. O Carnificina sabe que Peter Parker é o Homem-Aranha? Sim. Como o simbionte do Carnificina se uniu a Eddie Brock, ele obteve acesso às memórias de Eddie, descobrindo o maior segredo do Homem-Aranha e colocando Peter na sua lista de alvos.
4. Quem é o vilão Torment na Marvel? Torment é um novo assassino em série introduzido na HQ Death Spiral. Ele trabalha secretamente em aliança com o simbionte Carnificina e está caçando Peter Parker e Mary Jane.
Fonte CBR
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