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Crítica | A Ilha Esquecida transforma amizade e memória em uma aventura emocionante

Gil ·

AVISO: esta crítica contém spoilers de A Ilha Esquecida.

Crítica de A Ilha Esquecida com spoilers

A Ilha Esquecida é uma animação muito boa e mais uma prova de que a DreamWorks sabe criar aventuras divertidas sem deixar de lado temas emocionais. O filme mistura fantasia, comédia, drama, ação e muitas criaturas estranhas, mas seu verdadeiro coração está na amizade entre Jo e Raissa.

Desde o começo, fica fácil se importar com as duas. Elas são melhores amigas desde a infância, mas chegaram a um momento da vida em que precisam seguir caminhos diferentes. Raissa está prestes a ir embora para estudar nos Estados Unidos, enquanto Jo precisa lidar com a possibilidade de perder a pessoa que esteve ao seu lado durante praticamente toda a vida.

É uma situação simples, mas muito fácil de entender. Todo mundo já passou ou ainda vai passar por algum momento em que uma amizade muda por causa da distância, do trabalho, da faculdade ou simplesmente porque a vida começa a seguir novos caminhos.

E A Ilha Esquecida transforma esse medo em uma grande aventura.

Jo e Raissa são o coração do filme

A amizade de Jo e Raissa é facilmente o melhor elemento da história. O filme não tenta apenas dizer que elas são amigas: ele mostra como essa relação foi construída e como as duas realmente fazem parte da vida uma da outra.

Isso é importante porque todo o conflito da Ilha de Nakali gira justamente em torno das memórias.

Quando elas descobrem que permanecer naquele lugar faz suas lembranças desaparecerem e que o preço para voltar para casa pode ser perder todas as memórias da amizade entre elas, a história ganha muito mais peso.

Não estamos falando apenas de esquecer uma aventura ou uma noite maluca. Elas podem esquecer anos de amizade, momentos felizes, discussões, brincadeiras e tudo aquilo que ajudou a construir quem elas são.

É aqui que o filme consegue ser realmente emocionante.

A Ilha Esquecida fala sobre o medo de seguir em frente. Jo teme que a distância faça Raissa esquecê-la, enquanto Raissa precisa aceitar que crescer também significa tomar decisões que podem mudar algumas relações.

O filme transforma esse sentimento em algo literal.

Nakali é uma ilha cheia de personalidade

Outro grande acerto está na própria ilha.

Nakali é maluca, colorida, imprevisível e cheia de criaturas que parecem ter saído diretamente de histórias antigas. O filme usa bastante a mitologia e o folclore filipino, apresentando figuras como o Tiyanak e a temida Manananggal dentro desse mundo fantástico.

Isso faz com que A Ilha Esquecida tenha uma identidade própria.

Não parece apenas mais uma animação com protagonistas perdidas em um mundo mágico. Existe uma cultura servindo de base para aquelas criaturas, para os elementos visuais e até para alguns dos conflitos da história.

A quantidade de coisas acontecendo também deixa o filme bem agitado. Sempre existe uma criatura nova, um lugar diferente ou alguma situação absurda esperando Jo e Raissa.

Em alguns momentos tudo fica propositalmente caótico, mas isso combina bastante com a proposta da aventura.

Raww é um dos melhores personagens

E entre todas as criaturas de Nakali, preciso falar de Raww.

O homem-cão dublado originalmente por Dave Franco é facilmente um dos personagens secundários mais divertidos do filme. Ele tem um visual estranho, personalidade engraçada e consegue participar da aventura sem parecer apenas um personagem colocado ali para fazer piadas.

Raww se torna um verdadeiro companheiro das protagonistas e rende vários bons momentos.

O filme, inclusive, brinca bastante com diferentes estilos de animação. Uma das sequências envolvendo Raww assume uma estética de anime, chegando a brincar com elementos que lembram produções como Dragon Ball.

Essas referências são muito legais principalmente para quem cresceu assistindo anime, desenhos e animações dos anos 1990.

São detalhes que combinam perfeitamente com um filme tão maluco.

A Manananggal é uma vilã realmente ameaçadora

Se Raww funciona no lado divertido, a Manananggal funciona justamente no caminho contrário.

Ela é uma ótima vilã.

O filme consegue fazer com que sua presença seja ameaçadora de verdade. Mesmo dentro de uma animação cheia de humor e cores, existe algo estranho e assustador nela.

Isso é muito importante porque a personagem não poderia ser apenas mais uma vilã engraçada.

A Manananggal é apresentada como uma das criaturas mais temidas de Nakali, e o filme realmente faz jus a essa fama. Lea Salonga também ajuda bastante na versão original, dando personalidade para a personagem.

Ela domina as cenas em que aparece e ajuda a aumentar o perigo da aventura.

É uma vilã marcante e que combina muito bem com o lado mais sombrio da mitologia apresentada no filme.

O visual é um espetáculo

Visualmente, A Ilha Esquecida é incrível.

E isso talvez não surpreenda tanto quando lembramos que Joel Crawford, Januel Mercado e o produtor Mark Swift também trabalharam juntos em Gato de Botas 2: O Último Pedido, uma das animações visualmente mais impressionantes da DreamWorks nos últimos anos.

Aqui eles novamente brincam com os limites da animação.

O filme mistura estilos, exagera nos movimentos, usa cores fortes e não tem medo de mudar sua linguagem visual dependendo da situação. Existem influências de anime, quadrinhos e animações mais antigas.

Isso deixa Nakali ainda mais imprevisível.

Você nunca sabe exatamente qual será a próxima loucura visual que o filme vai apresentar.

E, mesmo com tanta coisa acontecendo na tela, a animação continua bonita e cheia de personalidade.

A trilha sonora aumenta ainda mais a nostalgia

A trilha sonora também merece destaque.

Como parte da história acontece dentro de uma atmosfera inspirada nos anos 1990, algumas músicas ajudam muito a criar essa sensação nostálgica.

Não são apenas músicas colocadas aleatoriamente para o público reconhecer. Elas combinam com a energia de Jo e Raissa e com aquela ideia de aproveitar uma última noite juntas antes que tudo mude.

Para quem cresceu ouvindo músicas dessa época, alguns momentos acabam sendo ainda mais divertidos.

É mais um elemento que ajuda o filme a construir uma personalidade própria.

Os spoilers deixam a mensagem ainda melhor

E é justamente quando entramos de verdade nos spoilers que a mensagem de A Ilha Esquecida fica mais forte.

Nakali não representa apenas uma aventura mágica. A ilha funciona quase como uma representação do medo que Jo e Raissa possuem de esquecer uma à outra.

As memórias começam a desaparecer.

Tudo aquilo que parecia impossível — esquecer momentos tão importantes da vida — começa a acontecer.

A ideia de que as próprias lembranças da amizade podem ser o preço necessário para deixar Nakali transforma a aventura em algo muito mais emocional. Em vez de simplesmente derrotar uma vilã e encontrar um portal, as protagonistas precisam enfrentar aquilo que realmente estava causando medo desde o começo: a possibilidade de seguirem caminhos diferentes.

E é aí que a mensagem funciona.

Uma amizade verdadeira não precisa significar que duas pessoas ficarão juntas todos os dias para sempre.

As coisas mudam.

Pessoas se mudam, começam uma faculdade, encontram novos amigos, trabalham, formam famílias e seguem caminhos completamente diferentes. Isso não significa que aquilo que viveram juntas deixou de ter importância.

O filme fala justamente sobre aprender a valorizar essas relações enquanto elas fazem parte da nossa vida.

Um filme sobre solidão e sobre não querer ser esquecido

Também existe um lado bastante interessante sobre solidão.

Por trás das piadas e criaturas estranhas, existe o medo de Jo de ficar sozinha. Ela não quer apenas impedir Raissa de ir embora. Ela tem medo de que, depois da mudança, tudo aquilo que viveram seja deixado para trás.

Esse sentimento torna a personagem muito mais humana.

É fácil entender suas atitudes mesmo quando ela toma algumas decisões erradas.

Raissa, por outro lado, também precisa perceber que seguir em frente não significa abandonar completamente aquilo que veio antes.

Por isso as duas funcionam tão bem juntas.

Não existe uma amiga certa e outra errada. Existem duas pessoas chegando a uma mudança enorme em suas vidas e tentando entender como lidar com isso.

O filme também sabe ser divertido

Mesmo trabalhando com temas como despedida, memória, solidão e amadurecimento, A Ilha Esquecida nunca deixa de ser uma aventura divertida.

O ritmo é rápido e o filme praticamente não fica parado.

Existem perseguições, criaturas absurdas, referências, piadas e várias situações inesperadas. Para quem gosta de animações mais agitadas, é difícil ficar entediado.

Algumas pessoas podem achar que existem ideias demais acontecendo ao mesmo tempo, principalmente no segundo ato, mas comigo a energia do filme funcionou.

A aventura me prendeu até o final.

A dublagem brasileira também funciona muito bem

Outro ponto positivo é a dublagem brasileira.

As vozes combinam com os personagens e ajudam bastante principalmente nos momentos de humor. Em um filme tão rápido e cheio de personagens estranhos, uma boa adaptação é importante para as piadas funcionarem naturalmente.

E aqui o resultado é muito bom.

O lado emocional de Jo e Raissa também continua funcionando na versão brasileira, o que é essencial em uma história que depende tanto da amizade das protagonistas.

Vale a pena assistir A Ilha Esquecida?

Sim. A Ilha Esquecida vale muito a pena.

É uma aventura bonita, divertida e bastante criativa, mas que encontra sua maior força em uma mensagem simples: algumas amizades ajudam a formar quem somos.

Jo e Raissa carregam o filme.

Raww é incrível, a Manananggal é uma ótima vilã, Nakali é um lugar cheio de personalidade e a animação mostra novamente como a DreamWorks consegue experimentar visualmente quando entrega liberdade para seus artistas.

Mas o que realmente fica depois dos créditos não são apenas as criaturas ou as cenas de ação.

É a amizade.

Em uma época em que estamos sempre ocupados, mudando de cidade, estudando, trabalhando e conhecendo novas pessoas, o filme lembra como é importante valorizar aqueles que fizeram e ainda fazem parte da nossa história.

A Ilha Esquecida é engraçado, agitado, visualmente incrível e, quando precisa, bastante emocionante.

A DreamWorks fez um ótimo trabalho.

Sinopse de A Ilha Esquecida

Jo e Raissa são melhores amigas desde a infância, mas estão prestes a seguir caminhos diferentes depois da formatura. Durante a última noite que passam juntas, as duas encontram um misterioso portal que as leva até Nakali, uma ilha fantástica habitada por criaturas mágicas e figuras da mitologia filipina.

Enquanto tentam encontrar uma maneira de voltar para casa, elas descobrem que permanecer em Nakali está apagando suas memórias. Agora, precisam escapar antes que esqueçam completamente uma da outra.

Ficha técnica de A Ilha Esquecida

Título: A Ilha Esquecida
Título original: Forgotten Island
Direção: Joel Crawford e Januel Mercado
Roteiro: Joel Crawford e Januel Mercado
Produção: Mark Swift
Estúdio: DreamWorks Animation
Distribuição: Universal Pictures
Gênero: Animação, Aventura, Comédia, Fantasia e Família
Duração: 1h49 (109 minutos)
Classificação indicativa no Brasil: 10 anos
Estreia oficial no Brasil: 24 de setembro de 2026

Elenco de vozes original

  • H.E.R. como Jo
  • Liza Soberano como Raissa
  • Dave Franco como Raww
  • Jenny Slate como Batiba
  • Manny Jacinto como Bungi Tiyanak
  • Dolly de Leon como Lola Fatima
  • Jo Koy como Datu
  • Ronny Chieng como King Truffle Wuffle
  • Lea Salonga como Manananggal

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10 Nota

Crítica | A Ilha Esquecida transforma amizade e memória em uma aventura emocionante

Excelente

A Ilha Esquecida é um filme muito bom e uma das animações mais interessantes da DreamWorks em 2026. Tem humor, ação, criaturas malucas, referências para o público nerd e uma animação maravilhosa, mas também sabe contar uma história emocionante sobre amizade, memória e o medo de seguir caminhos diferentes. Jo e Raissa são o coração de tudo. No final, o filme lembra que não precisamos viver presos ao passado, mas também não devemos esquecer as pessoas que ajudaram a construir quem somos.

Desenvolvedor DreamWorks Animation
Lançamento 16/09/2026
Plataformas Cinema
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