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Paramount e Warner negociam acordo para encerrar processo na Califórnia

Representantes da Paramount e do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, devem se reunir no fim de outubro sob supervisão judicial.

Gil ·

Representantes da Paramount, comandada por David Ellison, e do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, devem se reunir por dois dias consecutivos no fim de outubro. O objetivo é negociar um acordo que encerre o processo contra a fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery.

As conversas terão supervisão da Justiça e representam um avanço após a ação ter interrompido o andamento do negócio. Bonta lidera uma coalizão de 12 estados que busca impedir a união das companhias.

Paramount e Warner buscam encerrar ação judicial

Rob Bonta, antes descrito como irredutível, passou a admitir um entendimento desde que ele inclua “remédios estruturais robustos”. Na prática, a exigência envolve garantias relevantes de que Paramount e Warner manterão estruturas separadas mesmo após integrarem a mesma empresa.

O gabinete do procurador-geral havia marcado uma reunião com a Paramount para 24 de agosto. Bonta cancelou o encontro na noite anterior e acusou o estúdio de repassar detalhes à imprensa.

A Paramount negou a acusação. Desde então, a empresa adotou uma postura mais discreta nas tratativas sobre a fusão.

A agenda de outubro não impede que as partes cheguem a um acerto antes dos encontros supervisionados. A Paramount tenta acelerar o processo porque, a partir de 1º de outubro, terá de pagar US$ 7 milhões por dia aos acionistas da Warner Bros. Discovery até a conclusão da operação.

Processo questiona empregos e concorrência

A ação contesta a capacidade de David Ellison de cumprir a promessa de preservar o ritmo de produção dos dois estúdios. A Procuradoria da Califórnia avalia que a dívida conjunta, estimada em US$ 80 bilhões, e a sobreposição de estruturas devem resultar na eliminação de milhares de empregos no estado.

O processo usa a Seção 7 da Lei Clayton, dispositivo federal que proíbe fusões e aquisições capazes de reduzir substancialmente a concorrência ou criar condições de monopólio. A coalizão também cita o Cartwright Act, principal lei antitruste californiana, e normas estaduais de defesa do consumidor e da livre concorrência.

Entre os estados que apoiam a acusação estão Nova York, Nova Jersey e Washington. O argumento é que a união de dois dos maiores estúdios de cinema e redes de TV a cabo concentraria excessivamente o mercado e eliminaria a competição direta entre as empresas.

Segundo a ação, essa concentração pode levar à perda de milhares de postos de trabalho em Hollywood, reduzir o poder de negociação de exibidores de cinema e operadoras de TV, elevar custos para consumidores e diminuir o volume e a diversidade de produções audiovisuais.

Julgamento segue previsto para março de 2027

O julgamento permanece marcado para março de 2027. Sem um acordo até essa data, o atraso na operação acrescentará pelo menos US$ 1,3 bilhão ao valor original da negociação, estimada em US$ 111 bilhões.

Se a Justiça bloquear a fusão entre Paramount e Warner, a Paramount terá de pagar uma taxa de rescisão de US$ 7 bilhões à Warner Bros. Discovery.

 

Fonte: The Hollywood Reporter