James Bond na Disney quase deixou de ser apenas uma hipótese improvável nos bastidores de Hollywood. Bob Iger revelou que a franquia 007 apareceu na lista de aquisições estudadas pela companhia durante sua grande fase de expansão. Assim, o espião britânico chegou a dividir espaço com marcas que realmente mudaram o futuro do estúdio, como Pixar, Marvel e Star Wars.
A informação ajuda a entender um momento decisivo da indústria do entretenimento. Na metade dos anos 2000, a Disney buscava reforçar seu catálogo com propriedades capazes de atravessar gerações. Portanto, a empresa passou a olhar para franquias fortes, globais e reconhecidas pelo público. James Bond se encaixava nesse perfil, embora o negócio nunca tenha avançado como outros acordos históricos.
James Bond na Disney estava na mira de Bob Iger
Segundo a matéria de referência, Iger contou ao Financial Times que a Disney montou uma lista de possíveis alvos depois da compra da Pixar. A aquisição do estúdio de animação, fechada em 2006 por US$ 7,4 bilhões, fortaleceu a confiança da empresa. Com isso, a liderança passou a considerar novas compras ambiciosas para ampliar seu domínio cultural.
[Quando compramos a Pixar,] foi como se as nuvens tivessem se dissipado e o sol voltasse a brilhar“, disse Iger. “Montamos uma lista de alvos de aquisição. A Marvel era um, Star Wars era outro, James Bond era um deles. Tínhamos uma lista e eu pensei: ‘vamos riscar um por um e comprar todos’.
Nessa lista, Marvel, Star Wars e James Bond apareceram como propriedades de alto valor estratégico. A Disney acabou comprando a Marvel e, depois, a Lucasfilm, dona de Star Wars. Porém, 007 seguiu outro caminho e permaneceu ligado à MGM. Mais tarde, a MGM foi adquirida pela Amazon, que se tornou a atual dona da franquia.
Por que 007 fazia sentido para a estratégia da Disney
A possível compra de James Bond na Disney mostra como Iger pensava em franquias com força mundial. Afinal, 007 já tinha décadas de relevância no cinema, uma identidade clara e enorme reconhecimento popular. Além disso, a série carregava potencial para streaming, produtos derivados e novas gerações de fãs.

Mesmo assim, Bond também representaria um encaixe delicado dentro da marca Disney. A franquia tem violência, espionagem, sensualidade e um tom adulto que destoam de parte do portfólio familiar do estúdio. Ainda assim, a compra poderia ter seguido a mesma lógica usada com Marvel e Star Wars. Cada universo manteria sua identidade, enquanto a Disney cuidaria da expansão comercial.
Marvel e Star Wars viraram o modelo de expansão
A história ganhou outro peso porque duas apostas da lista realmente aconteceram. Com a Marvel, a Disney herdou um motor de cinema, séries, produtos e eventos globais. Já com Star Wars, a companhia passou a controlar uma das marcas mais importantes da cultura pop. Portanto, imaginar James Bond nesse pacote ajuda a medir a escala da ambição do estúdio.
O caso também mostra como a Disney queria controlar propriedades duradouras, não apenas lançar sucessos isolados. Essa estratégia mudou Hollywood e acelerou a disputa por franquias reconhecidas. Por isso, a revelação sobre 007 chama atenção mesmo sem uma aquisição concluída. Ela revela uma versão alternativa da cultura pop recente, com Bond sob o mesmo teto de Vingadores e Jedi.
Twitter e Apple também entraram no radar da Disney
A lista de interesses de Iger não parou em personagens famosos. De acordo com o relato, a Disney também chegou perto de comprar o Twitter por um valor considerado atraente. A ideia era transformar a rede social em uma plataforma global de distribuição para os conteúdos do estúdio. Porém, Iger recuou antes do fechamento por temer que a compra virasse uma grande distração.
Outro plano citado envolvia uma possível fusão com a Apple. Os rumores de mercado, segundo a matéria, tinham fundamento dentro das conversas da época. Ainda assim, a Apple não demonstrou interesse real em avançar. Dessa forma, a união entre as duas gigantes ficou apenas como uma hipótese de bastidor.
Fonte: Financial Times
