A associação de exibidores Cinema United afirmou que pretende pedir ao Congresso dos Estados Unidos, ao Departamento de Justiça e a autoridades estaduais que analisem e possivelmente bloqueiem a fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery. O grupo argumenta que a união de dois grandes estúdios pode reduzir a concorrência e colocar os cinemas em uma posição de dependência comercial.
Segundo o comunicado da entidade, a fusão poderia concentrar uma fatia significativa da bilheteria doméstica nas mãos de um único estúdio. Estimativas citadas pela associação apontam que o novo grupo poderia controlar até 40% da arrecadação anual dos cinemas nos Estados Unidos, algo visto como preocupante para redes exibidoras.
O pacote financeiro apresentado pela Paramount inclui uma oferta de US$ 31 por ação, totalmente paga em dinheiro. O acordo também prevê um pagamento adicional de US$ 0,25 por ação por trimestre a partir de 30 de setembro de 2026.
Outro ponto confirmado é que a Paramount assumiria custos importantes ligados ao processo. Entre eles está a multa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que a Warner deve à Netflix, além de uma taxa regulatória de US$ 7 bilhões caso a transação seja barrada por órgãos reguladores.
Caso seja aprovada, a ideia da Paramount é realizar uma fusão completa entre as duas empresas, transformando Warner e Paramount em um único conglomerado de entretenimento.
A promessa de que o novo grupo lançaria 30 filmes por ano nos cinemas ainda não está confirmada oficialmente em um plano público detalhado. Líderes da associação de exibidores afirmaram que não acreditam totalmente nessa projeção e apontam que a indústria tem encolhido nos últimos anos.
Também não há confirmação pública sobre como será a estrutura final de liderança da empresa combinada. O nome do executivo David Ellison aparece nas discussões do setor, mas não existe anúncio oficial sobre o papel que ele teria na nova companhia.
Outro ponto ainda incerto é o real impacto da fusão na bilheteria. A estimativa de 40% do mercado vem de análises da indústria, mas pode variar dependendo do desempenho futuro dos filmes e da forma como a fusão seria estruturada.
A Warner Bros. Discovery surgiu de uma grande fusão anterior, quando WarnerMedia e Discovery se uniram em 2022. Esse movimento já fazia parte de uma onda de consolidação na indústria do entretenimento.
Nos últimos anos, Hollywood passou por diversas negociações e aquisições, impulsionadas principalmente pela competição com plataformas de streaming e pela necessidade de ampliar catálogos de conteúdo.
Caso a fusão entre Warner e Paramount aconteça, ela seria mais um capítulo dessa transformação do mercado audiovisual.
O que vem aí
Ainda não existe um calendário oficial para a decisão final. O próximo passo provável envolve análises regulatórias por parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e possíveis discussões no Congresso.
Também é possível que novos detalhes apareçam durante eventos importantes da indústria, como convenções de exibidores e apresentações corporativas de Hollywood. Esses momentos costumam revelar atualizações sobre fusões, investimentos e estratégias de estúdios.
