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Roteiro original de Supergirl incluía detalhes sobre o passado de Krem

Relato aponta que Supergirl teve ajustes após sessões-teste, com menos Krypton, mais Superman e cortes na origem do vilão Krem.

Gil ·

Cortes de Supergirl teriam ajustado partes importantes do novo filme da DC Studios após sessões-teste realizadas antes da estreia. Segundo o material de referência, uma versão exibida em fevereiro de 2026 tinha abertura diferente, mais cenas em Krypton, menos presença de Superman e mais contexto para Krem, o vilão vivido por Mathias Schoenaerts. A montagem final, lançada nos cinemas em 26 de junho, manteve a base da história, mas aparou trechos que poderiam mudar a leitura do público sobre Kara Zor-El. Assim, a discussão agora gira menos em torno de grandes viradas e mais sobre ritmo, foco dramático e construção de personagens.

Who is Krem of the Yellow Hills? Supergirl Villain's Powers Explained

O filme acompanha Kara Zor-El, interpretada por Milly Alcock, em uma jornada inspirada na HQ Supergirl: Woman of Tomorrow. A trama também envolve Ruthye Marye Knoll, vivida por Eve Ridley, e coloca Krem of the Yellow Hills como ameaça central. Mesmo assim, as mudanças indicadas pelo relato chamam atenção porque mexem em três pilares da narrativa: o trauma de Kara, o espaço de Superman no novo DCU e a profundidade do antagonista. Portanto, os cortes ajudam a entender por que alguns pontos da versão final podem ter soado mais diretos, mas também menos densos.

Cortes de Supergirl afetaram Krypton e a abertura

A alteração mais evidente estaria logo no começo. Na versão de teste, o filme abriria com a destruição de Krypton, um evento essencial para a mitologia de Superman e Supergirl. Essa escolha faria sentido para Kara, já que ela cresceu em Krypton e carrega lembranças mais concretas daquele mundo. Diferente de Kal-El, que chegou à Terra ainda bebê, Kara viveu tempo suficiente para sentir a perda de seu lar como trauma direto. Por isso, uma abertura em Krypton poderia posicionar sua dor antes da aventura começar.

Na montagem final descrita pelo texto de referência, a abertura segue outro caminho. O filme começa com as escapadas bêbadas de Supergirl e Krypto, antes de avançar para a ação envolvendo Krem e a morte da família de Ruthye. Essa escolha coloca o público no presente da protagonista de forma mais rápida. Porém, ela também reduz o peso imediato da tragédia kryptoniana. Ainda assim, o longa usa flashbacks para mostrar partes do passado de Kara, incluindo sua ligação com Krypto, seus pais e o papel de seu pai na sobrevivência de Argo City após o colapso do núcleo de Krypton.

Mais cenas em Krypton teriam reforçado o trauma de Kara

O relato indica que a versão de teste tinha mais sequências ambientadas em Krypton. Esses trechos poderiam ampliar a compreensão sobre a formação emocional de Kara. Afinal, a personagem não apenas perdeu um planeta distante. Ela perdeu uma vida que conhecia, uma família e uma identidade construída antes da chegada à Terra. Desse modo, cada flashback ajuda a explicar por que sua relação com heroísmo, raiva e solidão pode ser diferente da visão mais clássica associada a Superman.

A redução dessas cenas pode ter deixado a montagem final mais ágil. Entretanto, esse tipo de corte também muda o peso dramático do filme. Quando a história apresenta menos tempo em Krypton, o público precisa preencher lacunas emocionais com informações mais rápidas. Isso não impede a compreensão da jornada, mas altera a intensidade do vínculo com Kara. Em um filme centrado em trauma, luto e deslocamento, minutos extras de contexto poderiam fazer diferença.

Superman ganhou mais espaço na versão final

Enquanto Krypton e Krem teriam perdido cenas, Superman ganhou mais presença na versão exibida nos cinemas. Segundo o relato citado no material, a montagem final inclui cerca de duas cenas adicionais com David Corenswet. O personagem aparece em flashbacks ligados à chegada de Kara à Terra e também no presente, quando tenta acompanhar a prima e incentivá-la a voltar para casa. Assim, o filme reforça a conexão familiar entre os dois kryptonianos e também amarra melhor a história ao novo DCU.

Essa decisão parece ter uma função estratégica. Supergirl é o segundo filme live-action do novo universo da DC Studios, então a presença de Superman ajuda a criar continuidade. Além disso, a relação entre Kara e Kal-El pode ganhar importância em Man of Tomorrow, projeto citado no texto de referência como próximo ponto relevante para os personagens. Portanto, ampliar Superman na montagem final pode fortalecer o universo compartilhado sem transformar o filme em uma aventura dele. Ainda assim, o equilíbrio é delicado, já que a história precisa continuar pertencendo a Kara.

Krem perdeu parte de sua origem

O corte mais sensível envolve Krem. Na versão final, o vilão surge como líder dos Brigands, um grupo de piratas espaciais que mata, saqueia e escraviza mulheres. Porém, a versão de teste teria apresentado mais detalhes sobre sua infância e sua visão distorcida de força. O material informa que parte desse passado mostrava Krem como alguém que sofreu abusos quando criança. Também indicava que ele enxergava essa criação violenta como algo que o tornou mais forte.

Esses elementos poderiam dar mais camadas ao antagonista. Ainda assim, contexto não significa redenção, nem melhora automática de roteiro. Um vilão pode ter passado trágico e continuar raso se a trama não usa isso com cuidado. No caso de Krem, o texto de referência aponta que sua falta de profundidade foi uma das críticas feitas ao filme. Logo, a retirada desse material pode ter contribuído para essa percepção, embora também seja possível que as cenas não funcionassem bem na montagem.

Outro ponto removido seria ainda mais sombrio. Segundo o relato, Krem teria planos de repetir parte desse ciclo de violência com Ruthye e ameaçaria torná-la sua esposa. A versão final ainda preserva a brutalidade dos Brigands, mas pode ter suavizado ou reduzido a exposição desses detalhes específicos. Com isso, o filme talvez tenha evitado um peso mais desconfortável, embora tenha perdido uma chance de explicar melhor a ameaça. Consequentemente, Krem pode parecer mais funcional do que complexo.

As sessões-teste melhoraram Supergirl?

A resposta não é simples. Sessões-teste costumam medir ritmo, clareza e reação do público antes do lançamento. Em muitos casos, elas ajudam a identificar trechos longos, confusos ou redundantes. No caso de Supergirl, o relato indica que a diferença entre as versões não era enorme. Mesmo assim, a estimativa menciona algo entre 10 e 15 minutos removidos da montagem final, o que é tempo suficiente para afetar nuances importantes.

Os cortes em Krypton parecem surpreendentes porque esse passado sustenta a dor de Kara. Já o aumento de Superman pode ter sido uma decisão mais segura para o DCU, pois aproxima o filme da continuidade maior. No caso de Krem, a situação é mais ambígua. Dar mais passado ao vilão poderia melhorar sua presença dramática. Contudo, se as cenas eram pesadas, repetitivas ou pouco eficientes, a retirada também pode ter buscado proteger o ritmo e o tom geral.

Como resultado, Supergirl parece ter chegado aos cinemas com uma versão mais direta e conectada ao universo compartilhado. Porém, essa direção pode ter custado parte da atmosfera ligada a Krypton e parte da complexidade do vilão. Para leitores e fãs, o caso mostra como pequenas decisões de montagem mudam a percepção de uma história. Afinal, alguns minutos a mais podem transformar um personagem secundário em peça emocional importante. Do mesmo modo, alguns minutos a menos podem deixar uma crítica mais evidente.

O que muda para o futuro da DC Studios

Supergirl ocupa um lugar importante na nova fase da DC. O filme apresenta Kara em uma posição de destaque e ainda reforça laços com Superman. Além disso, a presença de personagens como Krypto e a conexão com elementos cósmicos ampliam o alcance do universo. Portanto, entender seus cortes ajuda a observar as prioridades criativas da DC Studios nesta etapa. O estúdio parece buscar um equilíbrio entre adaptação de quadrinhos, ritmo de blockbuster e construção de saga.

Mesmo sem transformar a versão de teste em um filme radicalmente diferente, as mudanças apontam caminhos interessantes. A DC escolheu começar a história no presente, reduziu parte do passado kryptoniano e reforçou a ponte com Superman. Também aparou elementos mais pesados de Krem, talvez para ajustar tom e duração. No fim, a montagem final privilegia fluidez e integração ao DCU. Porém, a conversa sobre as cenas cortadas deve continuar entre fãs, especialmente por envolver exatamente os pontos mais debatidos do filme.

Fonte: The Direct.